quarta-feira, 28 de abril de 2010

"Antes que os morangos apodreçam" . VI

Finalizei o Capítulo 5 quase agora. 21 páginas. Amanhã começo a fazer uma primeira leitura e alterações necessárias. As primeiras, depois as outras quando tudo estiver pronto. São agora 105 páginas. Cada Capítulo é esta sensação inquieta de um prazer que permanece, de um vazio que fica como se algo tenha sido esvaziado demais. A repetição das sensações. O receio de que as frases poderiam ser melhores, as metáforas mais bem trabalhadas, o caminho outro que não aquele, e a pergunta para o próximo capítulo: - E agora?

Não tenho a totalidade do enredo. Não ainda por completo. Tudo acontece a partir de um instante que resulta em outro e em outros, decisões que surgem do inesperado, o pensamento de cada personagem que pode crescer tanto e profundo até se romper e chegar a algum devaneio, ou nada disso e sempre a lógica das coisas.

Neste capítulo apaguei algumas passagens. Melhor apagar se algo inquieta demais por não convencer de que esteja bem, qualquer que seja o texto. Algo inquieta e diz, se manifesta, e na narrativa parece tomar uma forma ainda maior. O receio de que as palavras, e muito mais as frases, sejam excessos, excessivas, abusivas.

Pausa. Penso.

Nos próximos dias iniciarei o Capítulo 6. Bem nos próximos dias, não muitos. Preciso adiantar o outro lado. Algumas leituras, um outro texto. Enquanto isso, os personagens dormem, e os pensamentos ali, bem ali ao lado de cada um. Exatamente como foi concluído o capítulo de hoje.

02:20 da manhã.

terça-feira, 20 de abril de 2010

"Antes que os morangos apodreçam" - V

Eis que o romance avança, toma forma, cria raízes em seus lugares, espaços, suas imagens e palavras, os diálogos verbalizados e outros em pleno silêncio no interior do ser de cada personagem Em alguns, mais: em outros, menos; e, nos demais, que são, de uma ou de outra maneira. O estar ali nas páginas que acontecem no decorrer das horas. O personagem e o narrador com as suas inquietações, e as deles.

Ao iniciar este capítulo, interrompi a narrativa algumas vezes e fiquei ali pensando, mais do que nos capítulos anteriores, talvez: e agora? A minha própria busca de descoberta de como continuar. Percebo que, às vezes, estou invadindo o pensamento do outro, não eu, não exatamente eu, mas ele, o narrador, invadindo demais o pensamento do outro, e a brusca necessidade de interromper um pouco, refletir um pouco mais, perceber pelo eu semblante, o do personagem, quais são mesmo os seus pensamentos e as suas palavras.

O romance segue tomando a sua própria forma, algum percurso pelo fluxo de consciência que, de certa maneira, permeia a narrativa. James Joyce e Marcel Proust, marcas do Século XX, escritores que não serei aqui redundante e dizer: impecáveis mestres nesta arte já explorada por Dostoievsky, de quem citei recentemente o grande “Cadernos do Subterrâneo”, assim como por Tchecov e Tolstoi e outros. A narrativa bem mais lá dentro do pensamento do personagem. Pensamentos tumultuados, velozes. Vale ressaltar que o termo “Stream of Consciousness” foi designado por William James, considerando a ininterrupta mutação da mente, direcionando-se para específicas impressões e sensações enquanto outras são, digamos, abandonadas. Eu, apenas um aprendiz.

Mas, eis o quinto capítulo.

Quase 4:00 da manhã quando ontem fui dormir, e, depois de um sono profundo, acordei no imediato do pensamento. Ainda 5:08 da manhã. Liguei o computador e escrevi mais um pouco, pois eu não podia perder aquelas palavras, ditas por um dos personagens centrais. É assim, escrever este romance tem sido assim, esta inquietação, e, acima de tudo, este prazer. Repito.

Que seja uma leitura agradável. Que seja.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Atos 5

Entrar
Fechar a porta
e a janela
Apagar a luz
Sentar na cama
no chão, no tempo

Quem sabe...
encontrar palavras
que expliquem as variações do ser.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"Antes que os morangos apodreçam" - IV

Esmoriz, PT.
Hoje conclui o 4º capítulo do romance. Trouxe de Lisboa sete páginas escritas e aqui dei sequência, totalizando vinte e uma. Porém, ainda não direi que estão prontas. Afinal, embora aconteçam revisões durante a produção, inevitavelmente elas não param por ai. Falo da minha experiência. Não param por ai. E revisão é coisa árdua, lapidar é a outra face delicada de uma arte, qualquer que seja.
O enredo e suas complexidades. A sensação que tenho é que à medida em que tomo conhecimento e afinidade com os personagens e suas histórias mais complexo fica o desenrolar do enredo. Não é sensação, E não estou pretendendo dizer nada de novo, falando, falando, apenas.
Um cansaço. Um cansaço físico e mental. Um envolvimento que se aprofunda, e muito. E envolve, e cria laços, comprometimentos. E é mesmo grande o prazer. Um estado de euforia solitária. E por ser solitária a escrita é, por si só, densa.
Mais uma etapa concluída. Bálsamo.
Mas fica um vazio junto com o alívio.
E fica o entusiasmo para continuar a história. E outras coisa se vão, foram, já estão no texto. Ou nunca.
Fica também este fragmento sem saber exatamente o que dizer no meio de um romance, os seus conflitos, a história que precisa prosseguir.

Depois sai um pouco. Caminhei pelas ruas de Esmoriz, andei pela praia, tirei fotografias. Esmoriz é uma cidade muito interessante. Seu nome, seu lugar, suas casas, as ruas quase vazias, vazias, e o movimento que cresce e colore a nova estação.
Há um algo muito atraente neste lugar!

Darei mais um tempo. Alguns dias. Tenho a pesquisa que é mais uma paixão. Ao retornar, domingo, vou ler mais um Lobo Antunes, é quase uma necessidade percorrer aquele universo, ir longe, bem longe! E tem as teorias, textos selecionados, concluir o estudo de O Pacto autobiográfico, P. Lejeune. Impecável.