terça-feira, 20 de abril de 2010

"Antes que os morangos apodreçam" - V

Eis que o romance avança, toma forma, cria raízes em seus lugares, espaços, suas imagens e palavras, os diálogos verbalizados e outros em pleno silêncio no interior do ser de cada personagem Em alguns, mais: em outros, menos; e, nos demais, que são, de uma ou de outra maneira. O estar ali nas páginas que acontecem no decorrer das horas. O personagem e o narrador com as suas inquietações, e as deles.

Ao iniciar este capítulo, interrompi a narrativa algumas vezes e fiquei ali pensando, mais do que nos capítulos anteriores, talvez: e agora? A minha própria busca de descoberta de como continuar. Percebo que, às vezes, estou invadindo o pensamento do outro, não eu, não exatamente eu, mas ele, o narrador, invadindo demais o pensamento do outro, e a brusca necessidade de interromper um pouco, refletir um pouco mais, perceber pelo eu semblante, o do personagem, quais são mesmo os seus pensamentos e as suas palavras.

O romance segue tomando a sua própria forma, algum percurso pelo fluxo de consciência que, de certa maneira, permeia a narrativa. James Joyce e Marcel Proust, marcas do Século XX, escritores que não serei aqui redundante e dizer: impecáveis mestres nesta arte já explorada por Dostoievsky, de quem citei recentemente o grande “Cadernos do Subterrâneo”, assim como por Tchecov e Tolstoi e outros. A narrativa bem mais lá dentro do pensamento do personagem. Pensamentos tumultuados, velozes. Vale ressaltar que o termo “Stream of Consciousness” foi designado por William James, considerando a ininterrupta mutação da mente, direcionando-se para específicas impressões e sensações enquanto outras são, digamos, abandonadas. Eu, apenas um aprendiz.

Mas, eis o quinto capítulo.

Quase 4:00 da manhã quando ontem fui dormir, e, depois de um sono profundo, acordei no imediato do pensamento. Ainda 5:08 da manhã. Liguei o computador e escrevi mais um pouco, pois eu não podia perder aquelas palavras, ditas por um dos personagens centrais. É assim, escrever este romance tem sido assim, esta inquietação, e, acima de tudo, este prazer. Repito.

Que seja uma leitura agradável. Que seja.

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