sexta-feira, 9 de abril de 2010

"Antes que os morangos apodreçam" - IV

Esmoriz, PT.
Hoje conclui o 4º capítulo do romance. Trouxe de Lisboa sete páginas escritas e aqui dei sequência, totalizando vinte e uma. Porém, ainda não direi que estão prontas. Afinal, embora aconteçam revisões durante a produção, inevitavelmente elas não param por ai. Falo da minha experiência. Não param por ai. E revisão é coisa árdua, lapidar é a outra face delicada de uma arte, qualquer que seja.
O enredo e suas complexidades. A sensação que tenho é que à medida em que tomo conhecimento e afinidade com os personagens e suas histórias mais complexo fica o desenrolar do enredo. Não é sensação, E não estou pretendendo dizer nada de novo, falando, falando, apenas.
Um cansaço. Um cansaço físico e mental. Um envolvimento que se aprofunda, e muito. E envolve, e cria laços, comprometimentos. E é mesmo grande o prazer. Um estado de euforia solitária. E por ser solitária a escrita é, por si só, densa.
Mais uma etapa concluída. Bálsamo.
Mas fica um vazio junto com o alívio.
E fica o entusiasmo para continuar a história. E outras coisa se vão, foram, já estão no texto. Ou nunca.
Fica também este fragmento sem saber exatamente o que dizer no meio de um romance, os seus conflitos, a história que precisa prosseguir.

Depois sai um pouco. Caminhei pelas ruas de Esmoriz, andei pela praia, tirei fotografias. Esmoriz é uma cidade muito interessante. Seu nome, seu lugar, suas casas, as ruas quase vazias, vazias, e o movimento que cresce e colore a nova estação.
Há um algo muito atraente neste lugar!

Darei mais um tempo. Alguns dias. Tenho a pesquisa que é mais uma paixão. Ao retornar, domingo, vou ler mais um Lobo Antunes, é quase uma necessidade percorrer aquele universo, ir longe, bem longe! E tem as teorias, textos selecionados, concluir o estudo de O Pacto autobiográfico, P. Lejeune. Impecável.

Um comentário:

  1. Formidavel. Um mundo rico e pulsante...pulsa, pulsa...
    Vaninha.

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